Gravidez molar: falha genética é rara, mas pode levar ao câncer

Quando algo sai errado na concepção, as células que formarão a placenta sofrem anormalidades, gerando uma gravidez molar. Os sinais dela geralmente são crescimento exagerado do útero, inchaço no abdômen, sangramento intenso, fortes náuseas e vômito.

Mulheres que sofreram mais de dois abortos prévios ou que têm mais de 40 anos são mais propensas a ter uma gestação molar.

A chamada gravidez em mola ou mola hidatiforme é uma condição rara provocada por falha genética, fazendo com que o feto receba somente um emaranhado de células. Também é possível notar alterações graves na placenta, impedindo a oxigenação e nutrição.

Como não há cromossomos da mãe no óvulo fertilizado, os espermatozoides do pais são duplicados. Isso significa que não existe embrião e tecido placentário, mas uma massa formada pela placenta.

É fundamental compreender que tal formação não terá condições de sobreviver e virar um bebê.

O aborto espontâneo da gravidez em mola ocorre por volta de 6 ou 8 semanas, uma vez que é impossível o desenvolvimento do embrião. Se a gestação anormal for descoberta antes, é preciso provocar a expulsão do ‘feto’ por meio de remédios abortivos prescritos pelo obstetra ou ginecologista.

Outra solução é fazer uma aspiração uterina para assegurar a limpeza completa do útero. Este procedimento é mais indicado que a curetagem, porque garante que células do embrião não permaneçam e, dependendo do caso, possam vir a gerar um tumor maligno.

A gravidez molar é visualizada através de ultrassonografia. E pode causar complicações sérias para a saúde da mulher se a curetagem (ou o aborto clínico) não retirar completamente os restos do ‘feto’.

Este tipo de gestação pode levar ao câncer chamado de neoplasia trofoblástica gestacional.

Como diagnosticar a gravidez molar

No começo, os sinais são os típicos de uma gravidez normal, porém, uma concentração de Beta HCG fora do padrão para a idade gestacional e o sangramento entre a 6ª e 16ª semana levantam a suspeita de gravidez molar.

Outros indícios são: pressão alta, intolerância ao calor, batimento cardíaco rápido e perda de peso sem explicação.

Ao perceber estes sintomas, é vital procurar um médico para verificar o que está por trás deles, e comprovar a anomalia. Além do Beta HCG, é feita uma ultrassonografia para confirmar o problema. Entretanto, cerca de 50% das mulheres atingidas por ele apresentam sintoma algum.

O surgimento de metástases nos pulmões ou na região genital auxilia no fechamento do diagnóstico do câncer ligado à gestação molar.

Quando a neoplasia trofoblástica gestacional é identificada, o tratamento é a quimioterapia e/ou cirurgia para retirada do útero ou das trompas – se estas forem afetadas.

Depois do tratamento, a mulher é acompanhada durante um ano, período no qual realizará exame para analisar o Beta HCG. Ao sinal de aumento do hormônio, e de que ainda há resquícios da gravidez molar, nova curetagem deverá ser feita para limpar a cavidade uterina.

As consultas são mensais, para que haja certeza de que o tecido molar foi eliminado por completo.

Somente ao final do período de acompanhamento, e da remoção completa da mola, o médico poderá dizer quando as tentativas de engravidar poderão ser retomadas.

Geralmente, é mais seguro liberar a paciente para uma nova gravidez seis meses depois de o nível de HCG ter voltado ao normal. Até lá, a mulher pode prevenir a gestação usando preservativo, pílula anticoncepcional ou implante, entre outros métodos.

O risco de uma gravidez molar acontecer outra vez é de 1 a 2%. E o fato de ter ocorrido não impede de a mulher voltar a ficar grávida sem complicações.

Mantenha suas consultas e exames em dia para detectar o mais rápido possível qualquer problema que ameace sua saúde, inclusive uma gravidez molar.

Até breve!