Quem tem mioma pode engravidar?

Existem mitos a respeito do mioma. Um deles é que esse tipo de tumor benigno leva a uma doença maligna; o outro é que as mulheres portadoras de mioma jamais engravidarão. Mas não é bem assim…

Primeiro: tratamento de mioma no útero varia de mulher para mulher. E o problema acomete principalmente aquelas em idade reprodutiva, sendo que as causas de seu surgimento não são completamente esclarecidas.

O nódulo costuma ser relacionado a um desequilíbrio hormonal, ou seja, uma desordem entre estrógeno e progesterona.

O principal sintoma do tumor benigno, geralmente quando o mioma surge na parte interna do útero, é o aumento do sangramento menstrual, que se torna mais intenso e dura mais tempo que o normal.

Além disso, podem aparecer coágulos sanguíneos na menstruação, dores durante a relação sexual, desconforto pélvico, dificuldade em esvaziar a bexiga durante a micção e sensação de peso no baixo-ventre.

Segundo: mioma nasce benigno e morre benigno. Ele é um pequeno tumor que cresce no tecido uterino e, na maioria dos casos, não provoca grandes transtornos.

O mioma pode, sim, dificultar a gravidez. Dificultar é uma coisa; impedir totalmente, outra. Alguns tipos de mioma são capazes de atrapalhar a fecundação, enquanto outros podem provocar aborto espontâneo – é o caso do submucoso, aquele que se desenvolve dentro da cavidade uterina.

O mioma intramural, que fica na parede uterina, em determinadas situações altera até o formato do órgão, levando à infertilidade. Por alcançar a cavidade do útero, é chamado de transmural.

Existem ainda os miomas pediculado e subseroso, estes raramente provocam alterações no potencial fértil da mulher.

Seja qual for a espécie de mioma, o fato é que ele impede a reprodução de 5% a 10% das mulheres. Isto é, na grande maioria dos casos, não compromete a gravidez.

Um detalhe importante: se a mulher com mioma está tentando engravidar há mais de um ano, é aconselhável buscar ajuda de um especialista.

Como tratar o mioma

Como eu falei lá do comecinho do artigo, o tratamento do mioma varia de paciente para paciente.

Ele pode ser feito por meio de suplementos de vitaminas e ferro, para repor perdas provocadas pelo excesso de sangramento menstrual; com anticoncepcionais, para equilibrar os níveis de hormônios; e com procedimentos cirúrgicos para retirada do tumor benigno.

Se ficar comprovado que o mioma é o vilão da fertilidade, um dos tratamentos acima é indicado. Porém, caso a cirurgia não seja possível e os demais métodos não sejam viáveis, a fertilização in vitro passa a ser a opção mais recomendada.

Quando a mulher apresenta múltiplos miomas e já foi submetida a procedimentos malsucedidos, é pequena a probabilidade de o embrião permanecer fixo no útero. Então, é preciso considerar alternativas como o útero de substituição.

A miomectomia, a cirurgia para extirpar o mioma, ainda é o principal tratamento para quem pretende ter filho. A intervenção poupa o útero e a circulação, minimizando, assim, os riscos de um futuro aborto.

Outra boa notícia é que, hoje, as técnicas são minimamente invasivas. A miomectomia pode ser feita por laparoscopia. Bastam três ou quatro pequenos cortes no abdômen para retirada do fibroma.

A modernização das intervenções cirúrgicas faz com que a recuperação fique mais rápida; o pós-operatório é menos dolorido e cai o tempo de internação (entre 24 e 48 horas, dependendo da opção adotada).

Portanto, se você tem mioma, não entre em pânico – e esqueça o que ouviu no passado sobre o tema. Os tempos são outros, e as soluções para os problemas também. Converse com seu médico…

Cuide-se, e até o próximo artigo!