Teste do Pezinho: Tudo sobre o Teste de Triagem Neonatal

O termo oficial é Teste Triagem Neonatal. Um procedimento conhecido mais pelo apelido, “Teste do Pezinho”, e que ajuda a identificar cerca de 46 doenças logo quando o bebê nasce. Basta um furinho no pé, como o já diz o nome, para garantir mais tranquilidade à família.

Quando o diagnóstico é precoce, é possível evitar sequelas, como no caso do Hipotireoidismo Congênito (HC) e a Fenilcetonúria (PKU).

Por meio do “Teste do Pezinho”, os profissionais de saúde conseguem diminuir altas taxas de morbimortalidade tomando cuidados básicos. É o que ocorre com a Anemia Falciforme, entre outras doenças.

O Teste Triagem Neonatal faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). O programa de saúde pública foi implantado em 2001 pelo Ministério da Saúde e determina a obrigatoriedade e a gratuidade do ‘Teste do Pezinho’.

No entanto, em 1976 o Prof. Benjamin Schmidt coordenou um projeto pioneiro para triagem da PKU junto à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE-SP).

Como surgiu o Teste Triagem Neonatal

Foi na década de 1960 que Robert Guthrie demonstrou a possibilidade de detecção precoce da Fenilcetonúria (PKU). O que seria feito através da medição do nível de fenilalanina no sangue seco colhido em papel-filtro logo após o nascimento da criança.

Em seguida, diversos programas de triagem neonatal foram sendo implantados em todo o mundo, como parte essencial dos programas públicos na área.

A maioria começou com a triagem da PKU e do HC, mas a quantidade de doenças foi sendo ampliada com o tempo. E existem variações de um estado para outro, e de país para país.

A partir de 1980, a detecção do Hipotireoidismo Congênito (HC) passou a ser feita no ‘Teste do Pezinho’ brasileiro. Mais tarde, em 1983, a triagem do HC e da PKU tornaram-se obrigatórias em São Paulo (Lei Estadual N° 3914 de 14/11/83).

Em 1990, a obrigatoriedade foi estendida às crianças nascidas em todo o país, nas redes pública e privada (Lei Federal No 8069 de 13/07/90).

A coleta do exame

O ideal é fazer o “Teste do Pezinho” no 3º dia de vida do bebê, mas o período útil vai até o 5º dia. É importante realizar logo a coleta do sangue para que o diagnóstico seja feito o quanto antes.

A precocidade do resultado faz toda a diferença no tratamento das enfermidades e suas sequelas, especialmente na parte neurológica.

Crianças que tiveram sua primeira coleta devolvida por falta de adequação do procedimento precisam ainda mais de pressa na triagem.

Vale destacar que o Teste Triagem Neonatal não deve ser feito antes das 48 horas de vida pelas seguintes razões:

1) Evitar falso-negativo para PKU

A confiabilidade do resultado do teste para diagnóstico de PKU depende de o recém-nascido ter mamado o suficiente para que a fenilalanina se acumule no sangue.

Se feito antes do prazo recomendado, o leite ingerido pela criança pode não ter sido na quantidade perfeita para acusar alteração nível da substância.

2) Evitar falso-positivo para HC

Logo ao nascer, o organismo da criança faz liberação fisiológica de TSH no sangue, ou seja, do hormônio dosado no teste para diagnóstico de HC.

A concentração diminui posteriormente, chegando a valores séricos menores do que 10 µUI/ml – nível de corte para resultado alterado, mas apenas por volta das 72 horas de vida do recém-nascido.

A regra acima só não vale se houver necessidade de o bebê receber uma transfusão de sangue, quando o “Teste do Pezinho” deverá ser colhido não importando a data de nascimento.

O ‘Teste do Pezinho’ é um aliado e tanto da saúde da criança, não é mesmo? E com informação fica mais fácil ajudar que precisa…

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Até breve com mais conteúdo…

Fonte de pesquisa: Laboratório de Triagem Neonatal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP